Participam do debate a pesquisadora Jelena Novak, o dramaturgista Johannes Blum e os diretores cênicos Allex Aguilera e Yuri Colossale

Com o tema “Dramaturgia Além da Escrita. Reflexões sobre Dramaturgismo na Ópera”, a Fundação Clóvis Salgado e o Instituto Unimed BH apresentam, no próximo sábado, dia 2 de outubro de 2021, a segunda live gratuita da série iniciada na última semana acerca do campo da dramaturgia e suas interseções com outras áreas, como composição, encenação, programação artística e crítica musical.

Trata-se de uma atividade da Academia de Ópera, que tem curadoria do maestro Gabriel Rhein-Schirato e da encenadora de ópera Lívia Sabag, ação que integra a Temporada de Ópera On-line 2021, da Fundação Clóvis Salgado. Essa programação será realizada durante 3 meses, sempre aos sábados, entre 15h e 17h, e serãotransmitidas ao vivo pelo site da Fundação Clóvis Salgado.

Os convidados para o debate são: Jelena Novak, da Sérvia, pesquisadora do CESEM, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, além de docente, escritora, dramaturgista, crítica musical, editora e curadora, focada sempre em unir teoria crítica e arte contemporânea; Johannes Blum, da Alemanha, libretista e dramaturgista independente, foi chefe do departamento de dramaturgia da Ópera Estatal de Hamburgo por 6 anos e em diversos teatros na Alemanha; Allex Aguillera, brasileiro, diretor cênico e cenógrafo de grandes produções operísticas em teatros e festivais na Europa e no Brasil. A mediação será feita por Yuri Colossale, brasileiro, diretor cênico e mestrando em Dramaturgismo da Ópera na Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo, na Alemanha.

Realizado por profissionais que atuam em instituições culturais – teatros e casas de ópera – ou como colaboradores de grupos e artistas independentes, o dramaturgismo é uma atividade comum na Europa e ainda pouco conhecida no Brasil. Além de apresentar uma introdução sobre esse ofício, a live tem como objetivo refletir a respeito dos diversos modos de atuação dos dramaturgistas no campo da ópera e as contribuições que esta prática pode proporcionar no contexto brasileiro.

“Na Europa, a Alemanha talvez seja o país onde o dramaturgismo adquiriu maior importância nas casas de ópera. Lá, a função do dramaturgista é exercida em duas frentes. Uma delas é por meio de uma interlocução com a direção artística e da criação de todo o material referente à programação das instituições, inclusive os textos de programa. Já a outra função do dramaturgista é exercida no processo de elaboração da encenação, sendo um colaborador do encenador, e também um mediador entre as ideias deste com o elenco e a direção da casa. O trabalho do dramaturgista também pode estar vinculado ao pensamento das ações educacionais, como as atividades de formação de público”, explica Livia Sabag, curadora.

“O Johannes Blum é um dramaturgista muito ligado ao campo do teatro, e é considerado uma referência na Alemanha. Já a Jelena Novak, tem um perfil diferente, mas ligado à musicologia. Jelena é, inclusive, coordenadora da Linha de Estudos  de Ópera do CESEM, renomado centro de pesquisa sediado em Lisboa, parceiro da Fundação Clóvis Salgado na Academia de Ópera 2021. O Allex Aguillera, por sua vez, é um encenador brasileiro que vive na Espanha e trabalha em vários teatros de ópera de países e continentes diferentes. Ele pode contribuir muito para a reflexão sobre a realidade brasileira e os possíveis caminhos do dramaturgismo em nosso contexto. Yuri Colossale, o mediador, está cursando o mestrado de Dramaturgismo na Ópera e será um dos primeiros brasileiros a ter formação na área”, observa Livia Sabag, curadora.

Além da Live “Dramaturgia Além da Escrita. Reflexões sobre Dramaturgismo na Ópera”, este ciclo de eventos contará com a participação de artistas e pesquisadores renomados, brasileiros e estrangeiros, como o poeta, letrista, dramaturgo, roteirista e integrante da Academia Brasileira de Letras, Geraldo Carneiro, o maestro e diretor artístico belga, Bernard Foccroulle, o dramaturgista alemão, o compositor, administrador de empresas e diretor artístico Paulo Zuben, o musicólogo, filósofo e coordenador do Grupo de Teoria e Crítica Musical do CESEM, João Pedro Cachopo, entre outros.

A Live “Dramaturgia Além da Escrita. Reflexões sobre Dramaturgismo na Ópera”, da Academia de Ópera 2021, integra a Temporada de Ópera on-line 2021 da Fundação Clóvis Salgado e é realizada pelo Governo de Minas Gerais / Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, pela Fundação Clóvis Salgado, e correalizada pela Appa – Artes e Cultura. Tem como apresentadora do Programa a  Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, e como patrocinadores a Cemig e a AngloGold Ashanti, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores

A Fundação Clóvis Salgado é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult) que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e de cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

Academia de Ópera 2021 – Parte integrante da Temporada de Ópera 2021, a Academia de Ópera está em curso durante o segundo semestre deste ano com o “Ateliê de Criação: Dramaturgia e Processos Criativos”. Com curadoria do maestro Gabriel Rhein-Schirato e da encenadora de ópera Lívia Sabag, essa atividade consiste em uma formação gratuita e inédita sobre dramaturgia voltada para ópera, composta por aulas, debates, entrevistas e a montagem de um espetáculo inédito, baseado em obra de um importante escritor mineiro.

Em 2021, Academia de Ópera conta com a colaboração de investigadores e artistas da Linha de Estudos em Ópera do prestigiado CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), uma unidade de investigação de carácter interdisciplinar, sediado em Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.

Todas essas atividades celebram os 50 anos do Palácio das Artes e um dos  objetivos da Academia de Ópera é promover especialização dramatúrgica sobre a ópera a partir de uma série de atividades práticas e teóricas que abordam as relações entre texto e música, a escrita de libretos, os processos criativos de espetáculos músico-teatrais, a dramaturgia musical em língua portuguesa, as releituras cênicas de títulos do repertório tradicional, o dramaturgismo e a crítica musical.

“A Academia de Ópera 2021 conecta o cenário da ópera, sobretudo em Minas Gerais, com os profissionais de teatro e literatura, unindo forças com escritores, jornalistas, poetas, diretores de teatro, músicos e cantores. O intuito é criar novos títulos, estimular o diálogo da ópera com outras manifestações artísticas e com o nosso tempo, além de fomentar o mercado da ópera a partir da criação de obras inéditas”, revela o curador Gabriel Rhein-Schirato.

Constam também na programação da Temporada de Ópera 2021 a apresentação, no final do ano, de uma encenação resultante do Ateliê de Criação: Dramaturgia e Processos Criativos, inspirado em obra de um renomado escritor mineiro.

A série Ópera! O podcast da música lírica é uma das novidades dessa edição que tem concepção e direção de João Luiz Sampaio (Jornalista e crítico musical) e Nelson Rubens Kunze (fundador, diretor e editor da Revista Concerto), que produzirão 5 episódios, com os temas “Voz: a alma da ópera”, “Vida de maestro”, “Como nasce uma encenação?”, “Da partitura ao palco, a ópera brasileira” e “Quanto custa uma ópera?”.

A sétima arte também marca presença na Temporada de Ópera on-line 2021. Em outubro será realizada a Mostra de Cinema e Ópera. A curadoria será assinada por Julianna Santos, diretora cênica.

Para Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado a Temporada de Ópera 2021 tem impactos e diálogos com todo o Brasil com o objetivo de difundir a ópera como linguagem acessível a todos. “A edição desse ano é resultado da edição passada em que fizemos reflexões profundas sobre o fazer operístico. Estamos colhendo os impactos causados pelas discussões transversais entre as linguagens, a presença das mulheres em espaços de decisão, bem como o encontro de linguagens em uma mesma obra. Estamos vivendo um momento muito rico, em uma ação inédita no Brasil, que é provocar novos saberes e fazeres no campo operístico. O resultado final do Ateliê de Criação, será o momento de coroação de todo esse esforço que vai unir artistas de campos distintos em uma unidade narrativa que será um espetáculo que será encenado. Da mesma forma, provocaremos discussões também em plataformas digitais, por meio de 5 episódios de podcasts que lançaremos e também na Mostra de Cinema e Ópera”, revela.

Participantes da live:

Jelena Novak – É pesquisadora do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Os seus principais campos de interesse e pesquisa são a música moderna e contemporânea, novas composições de ópera e teatro musical, a música e seus novos meios de comunicação, realismo capitalista, estudos da voz na era pós-humana e a identidade feminina na música. Desbravando esses campos, ela trabalha como pesquisadora, docente, escritora, dramaturgista, crítica musical, editora e curadora, focada sempre em unir teoria crítica e arte contemporânea. Em 2013 foi premiada com o Prêmio Thurnau de Estudos Músico-Teatrais, pela Universidade de Bayreuth, na Alemanha. Seus livros mais recentes são: Postopera: Reinventando a Voz-Corpo (Routledge, 2015), Operofilia (Orion Art, 2018) e Einstein on the Beach: Opera além do Drama (co-editado com John Richardson, Routledge, 2019).

Johannes Blum – É dramaturgista independente e se dedica também à escrita de libretos. Foi chefe do departamento de dramaturgia da Ópera Estatal de Hamburgo por 6 anos, cargo que também ocupou em diversos teatros na Alemanha. É formado em literatura medieval germânica, linguística e sociologia pela Universidade de Frankfurt. Desde 2015 leciona na Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo.

Allex Aguilera – É encenador e estudou Direção Cinematográfica em Barcelona. Desde 1993 trabalha como diretor cênico e cenógrafo em grandes produções operísticas em teatros e festivais na Europa e no Brasil. Além de suas atividades operísticas, colabora com o Centro de Aperfeiçoamento Plácido Domingo, dirigindo vários espetáculos com seus membros.

Yuri Colossale (Mediação) – É formado em canto lírico pelo Instituto de Artes da UNESP, onde descobriu a sua vocação para direção cênica na Fábrica de Óperas, sob orientação do maestro Abel Rocha. Em 2019 e 2020 integrou a equipe de direção de palco do Theatro Municipal de SP. Em 2020 iniciou seu mestrado em Dramaturgismo da Ópera na Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo, Alemanha

TEMPORADA DE ÓPERA ON-LINE – Em 2020, a tradição dos encontros com a arte operística na FCS tomou diferente forma, inaugurando um novo modo de fazer, difundir e refletir sobre a ópera no Brasil e na América Latina. Com abrangência nacional e internacional, a programação, prioritariamente digital, impactou diretamente 110 mil pessoas por meio de palestras, aulas, mostra de cinema, exposição de artes gráficas e apresentação artística. O projeto disponibilizou 60 atividades gratuitas para o público, com participação de 218 dos principais nomes do Brasil e de alguns profissionais de destaque internacional, resultando em 178 horas de programação. As oficinas e os cursos da Academia de Ópera ofertaram 637 vagas. O Recital da soprano ELIANE COELHO e do pianista GUSTAVO CARVALHO, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, com transmissão pela internet, encerrou a Temporada de Ópera On-line 2020. Devido à originalidade e ao ineditismo do projeto, a Temporada de Ópera On-line 2020 concorreu ao prêmio CONCERTO, na categoria “Reinvenção na Pandemia”, promovido pela conceituada Revista Concerto.

INSTITUTO UNIMED-BH – Associação sem fins lucrativos, o Instituto Unimed-BH, desde 2003, desenvolve projetos socioculturais e ambientais visando a formação da cidadania, estimular o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, ampliar o acesso à cultura, valorizar espaços públicos e o meio ambiente. Ao longo de sua história, o Instituto destinou cerca de R$140 milhões por meio das Leis municipal e federal de Incentivo à Cultura, viabilizado pelo patrocínio de mais de 5,2 mil médicos cooperados e colaboradores. No último ano, mais de 7 mil postos de trabalho foram gerados e 3,9 milhões de pessoas foram alcançadas por meio de projetos em cinco linhas de atuação: Comunidade, Voluntariado, Meio Ambiente, Adoção de Espaços Públicos e Cultura, que estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030. Neste ano, todas as iniciativas do Instituto celebram os 50 anos da Unimed-BH. Clique aqui e conheça mais sobre os resultados do Instituto Unimed-BH. Parceiro da Fundação Clóvis Salgado desde 2000, contribui para a manutenção dos corpos artísticos (Cia. de Dança do Palácio das Artes, Coral Lírico e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais) por meio do patrocínio à Temporada de Óperas.

FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, formação, produção e difusão da arte e da cultura no Estado, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música erudita e popular, ópera e teatro, constituem o campo onde se desenvolvem as inúmeras atividades oferecidas aos visitantes do Palácio das Artes, CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais – e Serraria Souza Pinto, espaços geridos pela FCS.  A Instituição é responsável também pela gestão dos corpos artísticos – Cia. de Dança Palácio das Artes, Coral Lírico de Minas Gerais e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais –, do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Artes e do Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart). Em 2020, quando celebrou 50 anos, a FCS ampliou sua atuação em plataformas virtuais, disponibilizando sua programação para público amplo e variado. O conjunto dessas atividades fortalece seu caráter público, sendo um espaço de todos e para todos.